Há uma necessidade de nossa parte de continuar a participar da luta, de ocupar os espaços públicos. Esse "nós" quer dizer eu e você (sempre) e ainda os "de sempre". E isso porque é necessário pra nós mesmos, como militantes que também se frustram, se cansam e podem esmorecer da luta: ela é difícil e nós podemos desistir fácil. Logo, saber que outras pessoas estão lá sempre pode nos animar em momentos assim.
Por outro lado, é claro que nós nos sentimos impotentes. Ainda não destruímos o capitalismo. E virou praxe agora as polícias nos acertarem em qualquer manifestação. As contradições estão se acirrando!
O capital está em crise, mas não as "de sempre": está piorando; o planeta está morrendo. As matérias primas estão minguando - algumas estão já, de fato, acabando; por isso muito caras (petróleo?).
A burguesia lato sensu não vai largar o osso. A classe média, alienada de sempre, porém "termômetro social", está nem aí pra hora do Brasil, quer mais é ficar rica, ter seu carro, viajar nas férias. A classe trabalhadora, outrora combativa, está doente, depressiva ou arrefecida; quer mais é assistir futebol, novela e que os filhos não usem drogas (pelo menos não muita, senão vai preso...).
E variados são os motivos. Não dá pra simplesmente acusá-los de reformistas, de ignorantes desmobilizados, ou achar que são coitadinhos que não conseguem enxergar a própria exploração e miséria - física e intelectual.
Reformista: ofendê-los com isso é estranho (até os movimentos sociais, em certa medida, o são) porque todos precisam de comida, melhor renda, serviços de transporte, saúde e educação com qualidade; os que acham que sabem algo sobre o socialismo não o desejam porque ele "deu errado, a história provou"; sintetizando: é só distribuir mais renda e promover maior acesso à educação (de preferência dialética, não hierárquica; mas se não der daquela, pode ser esta, melhor alguma que nenhuma...) e tudo se resolverá.
Ignorantes desmobilizados: são, na medida em que nem quando a água bate na bunda, não se mexem pra nada; apenas um sofá novo (comprado à prestação nas Casas Bahia) resolve o problema. Não o são, na medida em que se enfurecem e partem pro ataque, literalmente, quando acham que estão sendo enganados - em grupo, registre-se.
E qual a diferença entre o "ser" e o "não ser", nesse caso? Processo de consciência para emancipação. É educacional, a meu ver; mas que educação se dá a esse povo? Estou na escola e digo: de merda! Conformista! Na "melhor" das hipóteses, de "estudar pra ascender socialmente". E, obviamente, não se trata apenas da educação básica; viu o vídeo do CFESS, da campanha contra EAD?
São ignorantes desmobilizados, mas que são compelidos a sê-lo. Nós podemos não nos considerar assim, mas o que, de fato, fazemos pra mudar? "Temos" que trabalhar, estudar, nos amar, cuidar do gatinho, limpar a casa, ir ao centro espírita, brigar por causa da louça e da roupa não estendida no varal. Dormir.
Que hora sobra pra "fazer política" e mudar o mundo pra melhor? Quantos de nós precisam pra isso? Essa classe trabalhadora, aqui tratada externamente a nós, não tem condições de fazê-lo porque não está consciente de si enquanto classe, porque não há condição de estar levando a existência miserável que leva.
Ou nós "damos" essa consciência a eles (a vanguarda!) ou nós "construímos" com eles essa consciência (mas teríamos que ser corporativos: ou seja, lutar pelo ônibus, pela creche, pela terra, pela moradia urbana, pela saúde e etc.).
Esses são os limites.
Vitimizá-los: temos a tendência de dizer "ninguém é vítima", mas acabamos por fazê-lo, mesmo sem querer. Achamos que são uns pobres coitados, explorados, que deveriam acordar. Mas como não acordam, vamos nós "fazer barulho" e tentar acordá-los. De outro lado, podemos não vitimizá-los e superestimar sua participação política; nesse caso é hipertrofiar o sentido histórico de classe trabalhadora: pode ser que esta seja apenas a classe que trabalha, não a que possui a história em suas mãos ou a classe revolucionária por excelência.
Pode ser... Se não é classe em si, como será pra si?
Precisamos urgentemente criar mecanismos de aglutinação. Precisamos vencer o "policialismo social", o medo das manifestações públicas. Tanto do medo de outras classes quanto entre nós.
Se a Globo mandar, a classe vai às ruas (até depuseram o presidente Collor em 1992!); se a Record mandar ela vai às portas das delegacias linchar algum indigente qualquer que fodeu alguém.
E se nós "mandarmos" ir, eles não vão.
Enfim, não sei exatamente o que fazer, mas tenho algumas idéias:
1) partidos políticos: subsidiarão-nos formação teórica e prática da política lato sensu;
2) participação em movimentos sociais (de preferência com temáticas urbanas, mas próximas de nossa vivência nas cidades);
3) Defesa do socialismo, primeiro passo ao comunismo.
Os partidos discutem a questão no âmbito macro; os movimentos transitam do macro para o micro; a defesa do socialismo subsidia a práxis política em constante movimento.
Juliano
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